ouça as rádios cultura FM 93 FM
facebook instagram twitter youtube

Criança sofre sequelas depois de possível falha em atendimento na UPA, denunciam pais

Gabriel, de 3 anos, foi atendido na UPA do Batel em maio e após possível erro de medicação ficou com sequelas graves. Ele perdeu movimentos e não consegue mais se alimentar pela boca.

28/06/2018

Ouça a matéria clicando no player. Reportagem Cléber Moletta.

No final da tarde de ontem (27), enquanto torcedores comemoravam a vitória e classificação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol, Gabriel, de 3 anos, recebia alta e deixava o Hospital Santa Tereza. Há 29 dias, conforme os pais, ele andava, corria, falava, comia. Hoje ele não consegue se movimentar e se alimentar - senão por uma sonda instalada por dois cortes em seu abdome. Os pais da criança denunciam um erro da equipe da Unidade de Pronto Atendimento do Batel como causa de um dano neurológico que afetou a saúde do menino.

Segundo os pais, a aplicação equivocada de um medicamento deixou a criança com graves sequelas. “O médico [na UPA do Batel] não fez exames para saber se ele tinha bronquite asmática […], o remédio receitado seria forte para um adulto e ele deu 15ml para uma criança de 3 anos”, relatou à rádio Cultura Adenilson Cesar de Oliveira (23), pai de Gabriel.  Segundo os pais, tudo indica que houve superdosagem de medicamento, ao invés de 1,5ml, foi aplicado 15ml. Mas não há investigação sobre o caso (veja aqui).

Na manhã do dia 24 de maio a mãe chegava na UPA do Batel com o filho Gabriel, que completará 3 anos no próximo dia 7 de julho. Segundo  a mãe de Gabriel, Noilves Terezinha Aurora Oliveira, a criança estava com o peito carregado, havia vomitado na noite anterior, devido a tosse, e não apresentava febre. "O médico receitou os remédios falando que era bronquite asmática e mandou para sala da enfermaria para tomar os remédios", relata a mãe.

Durante a aplicação do medicamento por volta de 9 da manhã, a criança passou mal. “Quando ele começou a tomar o remédio para bronquite asmática ele começou a ter convulsão, tossir bastante e vomitar [...], ele deitou e começou a parar, virar o olho, a voz foi sumindo”. Ao perceber que a criança estava sem batimentos cardíacos, ela procurou a enfermagem.

Segundo ela, a criança ficou sem respirar por um tempo, precisou ser reanimada e foi levada pelo Samu para UTI do Hospital Santa Tereza, por onde permaneceu por 25 dias. Nesse período o menino precisou realizar uma cirurgia para colocação de uma sonda, já que não consegue se alimentar pela boca. Ele também não consegue mais andar, sentar, falar e mexer com as mãos e braços.

Para a família, foi a aplicação do medicamento a causa dos danos a saúde de Gabriel, que antes do dia 24 de maio era uma criança sem nenhum diagnóstico de problema, conforme os pais. Ainda não foi realizada uma investigação para apurar os fatos. Na manhã de hoje (28) eles procuraram a Ouvidoria do Sus para relatar o caso.

No última segunda-feira (25) a família procurou atendimento novamente, devido a reclamação de dores no local onde foi feita a cirurgia. Na tarde de ontem (27) Gabriel recebia alta novamente.

Tratamento

Devido ao seu quadro de saúde, Gabriel precisa de médicos e especialistas de várias áreas como fisioterapeuta, fonoaudiólogo. Segundo a família, ainda é incerto como será a recuperação da criança.

“Aqui no Santa Tereza disseram que eles não podem fazer mais nada”, informou o pai da criança. Ele ressaltou que a criança foi bem atendida no local.

Posição da Secretaria de Saúde

A Secretaria de Saúde disse que tem conhecimento do caso e está acompanhando. Por se tratar de uma situação que envolve conduta médica, por questões éticas, ninguém irá falar sobre o assunto. Um dos servidores da equipe que atendeu Gabriel na UPA é terceirizado, por isso para ele não cabe sindicância.

Ainda não há investigação sobre o caso.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde, é possível incluir a criança em programas se assistência do SUS como o fornecimento de fraldas e dietas especiais.

A Família

Os pais, Adenilson e  Noilves, são moradores do bairro Colibri, em Guarapuava. Ele trabalha por dia, sem registro em carteira, na construção civil. Ela é auxiliar em uma panificadora. Ambos deixaram de trabalhar desde 24 de maio.

Comentários




acompanhe a central cultura no facebook

Basta clicar no botão Acompanhar logo abaixo.

Fechar