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31ª Romaria da Terra do Paraná discute a superação da violência no campo

Cerca de 3 mil romeiros, segundo estimativa da organização do evento, celebraram a 31ª Romaria, em Barbosa Ferraz.

19/08/2018

Cerca de 3 mil pessoas participaram da 31ª Romaria da Terra do Paraná, nesse domingo (19), em Barbosa Ferraz, diocese de Campo Mourão. A celebração propôs reflexões sobre o contexto agrário no estado, atualmente com mais de 7 mil famílias em acampamentos, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. O lema foi proposto seguindo a direção da Campanha da Fraternidade 2018: “Com direito e justiça, a paz supera a violência no campo”.

“Nós experimentamos uma realidade muito difícil do povo do campo que é a violência. Há muita violência contra os sem-terra, os pequenos agricultores, os assentados, os acampados e há uma morosidade do Estado em resolver o problema. Então, celebrar é unir as forças para que as pessoas não desanimem diante das dificuldades que vão se impondo na caminhada e que as vezes se torna pesado”, disse à Rádio Cultura Dom Bruno Elizeu Versari, bispo de Campo Mourão.

Desde 6h30 da manhã os romeiros vindos de várias regiões do Paraná foram recepcionados no Santuário de Santa Rita, onde ocorreu a primeira parte da romaria. Depois de uma confraternização, a celebração começou às 9h30. Um acampamento simbólico foi montado por um grupo de trabalhadores. Barracos de lona, fogueira improvisada para preparo dos alimentos, cultivo da terra e vida em comunidade, símbolos que representaram as milhares de famílias que vivem acampadas.

Num segundo momento o acampamento simbólico foi destruído. Homens armados tiraram as famílias e ilustraram a violência a qual estão submetidas as famílias acampadas no Paraná, constantemente sob ameaça de despejo. Os ocupantes foram expulsos, o fogo tomou conta do acampamento simbólico e uma máquina destruiu o local.

Nesse ponto da celebração foi relembrado o despejo de Alecrim, em Pinhão, que nos dias 1° e 2 de dezembro de 2017 destruiu a casa de 22 famílias. A ação foi desdobramento de uma controversa disputa pela terra entre posseiros e a madeireira Zattar (veja aqui).

“Também temos que celebrar os momentos de sofrimento”, disse à Rádio Cultura o padre Dirceu Fumagalli. Mas ponderou: “Não no sentido de nos acomodarmos, de darmos isso como estabelecido, a celebração aponta pistas, elementos de superação dessa violência no campo”.

Em seguida o marco da 31ª Romaria da Terra do Paraná foi carregado pela multidão e trazido até a Paróquia Nossa Senhora das Graças – cerca de 2 km. As milhares de pessoas cruzaram a cidade entoando cantos populares da Igreja Católica e dos movimentos populares.

O marco – uma cruz com um tronco de árvore – foi plantada na praça em frente a Paróquia Nossa Senhora das Graças. Encerrando as atividades da manhã o padre Dirceu Fumagalli realizou a benção dos alimentos – trazidos e partilhados pelos romeiros.

No encerramento foram celebrados os elementos fundamentais para restabelecer a paz no campo. Dentre eles a descentralização da propriedade da terra, reconhecimento das titulações dos camponeses, sobretudo de povos tradicionais (faxinalenses, indígenas, quilombolas), reforma agrária, educação no campo a partilha e a produção de elementos.

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