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CONFLITO NO CAMPO: Propriedade invadida em Guarapuava e casas incendiadas em Prudentópolis marcam o início do mês de abril no Paraná

Em nota de repúdio, na tarde de hoje, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), destacou que a invasão da propriedade no distrito do Guará não foi de responsabilidade de nenhum de seus integrantes.

13/04/2021

As invasões de terras, um dos grandes problemas sociais que preocupava moradores de Guarapuava e região central do Estado no fim da década de 1990 e os primeiros cinco anos de 2000, voltou a incomodar a população local.

No último domingo, 11 de abril, por volta das 17h, um homem chegou até o destacamento da Polícia Militar no distrito do Guará, em Guarapuava, acompanhado de seu caseiro, informando que uma propriedade da qual ele tinha posse, havia sido invadida.

Segundo o posseiro, os invasores somavam cerca de 20 homens, os quais se identificaram como sendo do Movimento Sem Terra. Eles teriam invadido a propriedade e se apossado da casa do funcionário, com todos os seus pertences no interior.

Conforme o agricultor, os invasores contaram que estavam a mando de um determinado agrimensor e que havia mais quarenta pessoas do movimento se dirigindo àquele sítio para ocuparem as terras que, conforme reforçaram, pertencem à União.

O sitiante reitera que os invasores eram todos adultos e do sexo masculino.

A Polícia Militar esteve no local, mas nenhuma providência foi tomada, uma vez que, segundo a corporação, a situação é complexa e não é de competência da Polícia resolver tal fato.

Os invasores que, conforme se apurou usavam ferramentas e armas brancas quando expulsaram o morador de sua casa, permanecem na propriedade.

CASAS INCENDIADAS

Situação semelhante e muito mais violenta ocorreu na localidade de Terra Cortada, município de Prudentópolis, no dia 5 de abril, quando posseiros foram expulsos de suas moradias e duas casas foram incendiadas.

Em entrevista ao jornalista Cléber Moletta, da Rádio Cultura de Guarapuava, os moradores expulsos contaram que estão há muitos anos no local e têm a posse das terras. Durante a conversa, eles disseram ainda que têm demandas na Justiça requerendo o título definitivo das propriedades, mas que por enquanto, a situação está indefinida.

Conforme se apurou na reportagem, o ex-prefeito de Imbituva, município que faz divisa com Prudentópolis, José Antônio Pontarolo, conhecido como Zezo, afirma que é o dono dos terrenos onde estão os posseiros que tiveram as casas queimadas

Ouça a reportagem completa clicando no player:  

NOTA DO MST

Em nota de repúdio, na tarde de hoje, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), destacou que a invasão da propriedade no distrito do Guará não foi de responsabilidade de nenhum de seus integrantes. A nota também diz condenar os incêndios criminosos nas casas dos posseiros de Prudentópolis. “O MST aproveita a ocasião para manifestar total repúdio à violência empreendida contra os posseiros de Prudentópolis que tiveram suas benfeitorias queimadas em uma ação criminosa no dia 5 de abril, onde duas famílias perderam seus poucos bens, frutos de anos de trabalho na terra. Faz-se urgente a tomada de medidas que visem a solução imediata dos conflitos fundiários na região e a regularização agrária das famílias que exercem posse há décadas naquelas terras”, diz um trecho da nota.

Leia a nota do MST na íntegra:

NOTA | MST-PR repudia ações violentas contra famílias de posseiros de Guarapuava e Prudentópolis

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Estado do Paraná vem a público informar que as pessoas acusadas de tentativa de invasão em uma propriedade no Distrito do Guará, em Guarapuava, no dia 11 de abril do corrente ano, não são integrantes do Movimento.

De acordo com notícias veiculadas nas mídias da região, cerca de 20 homens adultos teriam invadido uma propriedade. O MST do Paraná não tem qualquer envolvimento com esta ocupação supostamente criminosa.

O MST aproveita a ocasião para manifestar total repúdio à violência empreendida contra os posseiros de Prudentópolis que tiveram suas benfeitorias queimadas em uma ação criminosa no dia 5 de abril, onde duas famílias perderam seus poucos bens, frutos de anos de trabalho na terra. Faz-se urgente a tomada de medidas que visem a solução imediata dos conflitos fundiários na região e a regularização agrária das famílias que exercem posse há décadas naquelas terras.

Reiteramos que nosso objetivo é a ocupação de latifúndios improdutivos para implantação de Projetos de Assentamento da Reforma Agrária Popular e a luta em defesa do direito à posse da terra, direito à vida, ao trabalho, moradia e à cultura camponesa, sobretudo, em modelo de agricultura familiar e agroecologia. Nos organizamos para continuar produzindo alimentação saudável para a população, mesmo com o descaso do Governo Federal com a Reforma Agrária e as demais políticas públicas.

Nossa luta é feita pelas famílias Sem Terra, compostas por homens, mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Portanto, ações violentas/criminosas contrariam nossos princípios e não condizem com nossa luta pela vida.

13 de abril de 2021

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Paraná

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