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A Vida tem Sentido - Crianças são como água

15/09/2021

O teólogo Dr Jefferson Soares da Silva é colunista dos programas Culturando primeira e segunda edição (10h 15h30), da rádio Cultura FM de Guarapuava. 

O quadro  "A vida tem sentido" vai ao ar às quartas-feiras nos programas apresentados pela jornalista Céci Maciel.

Para ouvir, clique no player.

Crianças são como água

Um questionamento comum que pais e profissionais de educação ouvem e se fazem é: como se deve educar uma criança? Será que essa pergunta não seria potencializada se antes nos questionássemos sobre o que posso aprender com uma criança?

Sabe-se, a presença de um responsável adulto é fundamental para nortear de forma saldável a expressão das “grandes emoções” das crianças. Elas necessitam dessa autoridade para o fortalecimento dos vínculos de afeto seguro. Em termos gerais, as crianças desejam ser ouvidas e conduzidas por uma figura adulta. Mas daí surge outra indagação, será que estamos também dispostos a ouvir o que as crianças têm a nos dizer?

Temos alguma clareza que a chegada de uma criança em um lar é por si só uma grande revolução, pois são como água, aonde chegam se esparramam, quebrando protocolos e normas culturais estabelecidas pelo mundo adulto. Essa revolução exterior tem também uma profunda dimensão interior, mesmo que inconsciente, pois suas expressões tendem a tocar profundamente a memória de nossa infância, isto é, nossa “criança interior”, dela trazendo à tona emoções traumáticas ou de intensa alegria. Nisso é bom estar atento que se o choro, o timbre ou comportamento mais expansivo de uma criança gera em nós intenso desconforto, isso pode estar comunicando momentos de uma criança que não teve voz e nem vez, e que precisa ser tratada e amadurecida.

Nesse sentido, estabelecer uma relação saudável com uma criança pode nos permitir revisitar e, se necessário, reescrever parte de uma das memórias mais significativas de nossa história de vida e que impactam nossa vida adulta. Uma das formas de se colocar nesse processo de amadurecimento é permitindo que a criança possa expressar suas alegrias e tristezas de forma livre, autônoma. Que elas ensinem a nós adultos a sermos “como água” para assim sermos libertos de vozes e olhares que talvez nem mesmo sejam nossos.

Sobre:

Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) na linha: Teologia e Sociedade. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná na linha: Trabalho, Tecnologia e Educação. Especialista em Ética e Educação com ênfase em Teologia Moral (FACSUL) e graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (2010). É Membro do Grupo de Pesquisa: Los últimos años de vida: Demencias y dependencias, cuidados y sentido. El arte de morir", da Universidade Pontifícia de Comillas  ICAI-ICADE, na Cátedra de Bioética. Pesquisa e produz na Teologia, sobre a finitude da vida e luto, tradição e filosofia monástica, teologia e sociedade. Na Educação, sobre saúde e educação mental, história da educação e mundo do trabalho e Tecnologia; Em bioética, na biotecnologia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. É especialista em medit
ação cristã, foi o criador e coordenador do Grupo de Leitura Partilhada Thomas Merton na PUCPR (GLPTM), em 2018. Foi conselheiro administrativo da Sociedade Thomas Merton Brasil. Pela CRB é membro do Núcleo Lux Mundi, atuando na proteção à criança e adolescente vítima de abuso sexual. Pela GENITORE, atua em educação mental, parentalidade, luto e orientação vocacional. Trabalha também na formação de sacerdotes e seminaristas.

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